Publicado em 06/05/2026 - Atualizado em 12/05/2026 14:58
NOVOS TALENTOS:
10 ANOS FORMANDO A MODA
Projeto da Firjan SENAI Espaço da Moda, em Nova Friburgo, já formou mais de 500 profissionais
De volta após uma década, o Rio Fashion Week (RFW) 2026 refletiu muito mais do que tendências do mundo da moda. Para a Firjan, o retorno do evento representou também a chance de compartilhar com o público as experiências dos 10 anos do Projeto Integrador Novos Talentos, da Firjan SENAI Espaço da Moda Friburgo. Desde sua criação, mais de 500 alunos saíram da unidade, localizada na região centro-norte do estado do Rio, preparados para o mercado de trabalho. A relevância da iniciativa também se consolidou na Feira Brasileira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria-prima (Fevest), considerada o principal evento do setor na América Latina, onde os integrantes do projeto desfilam todos os anos.
Justamente por causa de uma formação de qualidade, há anos as empresas buscam na Firjan SENAI Espaço da Moda Friburgo ex-alunos para integrar suas equipes de produção. Além disso, alguns dos professores do curso são profissionais que passaram pelos bancos da Firjan SENAI. Como Lunanda Motta, instrutora de educação profissional.
O projeto conta com formações em costura, modelagem e mecânica, e parte técnica para todas as idades e formações. Sejam jovens que querem ingressar no universo fashion, sejam os que querem aperfeiçoar conhecimentos e/ou fazer transição de carreira. E quem não mora em Nova Friburgo? As aulas são híbridas. Lunanda explica que o objetivo do projeto é abrir chances em um mercado sabidamente disputado.
“O projeto nasceu para dar oportunidade a quem sonha em trabalhar com moda, mas não tinha acesso a uma formação estruturada. Hoje conseguimos unir tradição e tecnologia para preparar esses jovens. E, diferentemente da minha época, a Firjan SENAI tem hoje um prédio só com cursos direcionados a vestuário, confecção e audiovisual.”
Alexia Vitória é um dos exemplos de alunos encaminhados ao mercado de trabalho. Com sonho de atuar na moda desde quando cursava o Ensino Médio, ela se inscreveu no curso de Técnico em Vestuário. Para ela, ter estudado no Firjan SENAI Espaço da Moda Friburgo proporcionou experiências imersivas reais no mundo da moda para seguir traçando os seus passos e sonhos.
“Eu concluí o ensino médio junto com o curso de vestuário e fui indicada para trabalhar em uma empresa de e-commerce, a WX Trade, Nova Friburgo. Então, eu acho que o curso nos deixa prontos para o mercado de trabalho, e se você tiver um bom desempenho no seu curso, você consegue sair direto para um trabalho, como aconteceu comigo. Atualmente, trabalho como social media também, de marcas de roupa.”
Do brainstorm à apresentação das coleções
Concomitante aos aprendizados básicos e específicos, Lunanda explica que é realizada uma primeira sessão para trocas de ideias entre o grupo. São levados em consideração o chamado conceito “sete estilos universais da moda” – esportivo, tradicional, elegante, romântico, criativo, sexy e dramático – e as preferências de cada. Também é definido o tema para a coleção a ser apresentada como conclusão dos estudos, e ele deve estar alinhado a assuntos de relevância para a sociedade. Neste momento também é levado para os estudantes a preocupação da produção de peças sustentáveis.
“Temos a preocupação de abordar as coleções com temáticas atuais, que estejam pautadas na sociedade. O tema sustentabilidade, por exemplo, foi a inspiração da terceira edição, em 2017. Desde essa edição, ele aparece em todas as coleções, com métodos desenvolvidos pelos alunos de forma artesanal e outros com apoio dos laboratórios que criam técnicas para transformar ideias em produtos.”
Mais do que ensinar, o projeto estrutura um ecossistema. Na Firjan SENAI Espaço da Moda Friburgo, o ambiente de aprendizado estimula o aluno a ir muito além da observação. Ele participa, executa e constrói. E quando as ideias precisam de tecnologia, há parceria com os laboratórios tecnológicos.
Ao longo dos últimos anos, a preocupação do reaproveitamento de recursos caminha junto com a criatividade das peças. São roupas e acessórios que incorporam práticas sustentáveis, transformando resíduos em expressão artística. Por exemplo, já foram criados tecidos a partir de sacolas plásticas, unidas a papel manteiga e ferro; aproveitamento de sacos de cimento; miçangas reutilizadas.
“Trabalhamos de forma colaborativa. O aluno, por exemplo, apresenta uma ideia, e quando a gente percebe que será preciso usar a tecnologia, contamos com o apoio dos laboratórios. Podemos fazer um teste de computador para depois propor algumas imagens como inspiração”, explica.
Oportunidade de capacitação para todos
Flávia Cruz Martins Soeiro, natural do Rio de Janeiro, é um dos casos de profissionais que vislumbraram no Novos Talentos uma oportunidade de ampliar e aprimorar seus conhecimentos no segmento.
“Me inscrevi no curso Técnico em Vestuário. Eu já trabalhava com desenvolvimento de vestuário há cerca de 13 anos e estava buscando uma atualização profissional. Queria um curso mais voltado para a produção industrial, e vi o curso como uma oportunidade para ter informações técnicas e melhorar meus processos. O curso foi essencial e um upgrade na minha profissão”, contou Flávia, que trabalhava com sua própria marca e atualmente exporta suas coleções para Coconut Active, da África do Sul, e para empresas da Suíça. Ela também dá aulas como uma das colaboradoras da Firjan SENAI Espaço da Moda Friburgo.
O mercado e o projeto Integrador Novos Talentos
Para Gustavo Moraes, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Nova Friburgo e Região (Sindvest), o projeto Integrador Novos Talentos tem como objetivo permitir que as empresas conheçam os novos profissionais da cadeia, estabelecendo uma forma de comunicação entre aluno e empresa. Além disso, é a oportunidade de unir o talento à mão na massa para aprimorar as técnicas para os desafios que o mercado exige.
“Enxergamos o programa como o pilar fundamental de sustentação competitiva do nosso polo. Para as empresas locais, ele qualifica mão de obra técnica, transformando potencial bruto em produtividade imediata. Para o estado do Rio, essa iniciativa consolida Nova Friburgo como um centro de excelência e inovação tecnológica de confecção, garantindo que a moda fluminense mantenha um padrão de qualidade capaz de competir tanto no mercado nacional quanto no internacional”, pontua.
Fevest, o coração pulsante da economia da moda em Nova Friburgo
Criada em 1992 pelo Sindvest, a Feira Brasileira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria-prima (Fevest) tornou-se o maior holofote para segmentos da moda e do setor têxtil. Todos os anos, a cidade gira em torno do evento e mexe com a economia local. De acordo com Gustavo, o festival é um motor econômico e vitrine de inovação para um polo que produz cerca de 35% da lingerie nacional.
“O evento conecta fabricantes brasileiros a compradores nacionais e internacionais de países como Argentina, Colômbia e Estados Unidos. Em edições recentes, as rodadas de negócios internacionais movimentaram mais de US$ 500 mil. Além disso, Nova Friburgo é oficialmente a ‘Capital Nacional da Moda Íntima’, conforme a Lei 14.883/24. A feira sustenta um ecossistema que gera aproximadamente 28 mil empregos diretos e indiretos, com forte protagonismo feminino (80% da mão de obra). Nossa gestão está focada em transformar esse reconhecimento em crescimento real para cada pequena e média confecção da nossa região, apostando no binômio: Educação Técnica + Inovação Tecnológica”, acrescenta.
E neste cenário, entre os destaques, está o desfile da coleção anual do projeto Integrador Novos Talentos.
Destaques da Fevest (Edição 2026)
A feira ocorre anualmente no Nova Friburgo Country Club. Saiba mais sobre o evento:
- Fevest Inspire: O tema de 2026 foca em alta performance e criatividade, reunindo mais de 150 marcas expositoras de todo o país
- Hub de negócios: O evento atrai cerca de 9 mil visitantes e promove rodadas de negócios internacionais com compradores de países como Chile, Colômbia e Argentina
- Tendências e lançamentos: Além de lingeries sofisticadas, a feira destaca coleções de moda praia, fitness, linha noite e insumos têxteis
- Internacionalização: Projetos como o SindExporta capacitam mais de 40 empresas locais para exportação durante o evento.
Força do polo de Nova Friburgo
- Produção nacional: A cidade é responsável por cerca de 36% da lingerie comercializada no Brasil
- Impacto econômico: O setor movimenta aproximadamente 40% do PIB de Nova Friburgo
- Geração de emprego: São cerca de 1.400 confecções que geram mais de 28 mil empregos diretos e indiretos
- Empregabilidade feminina: A região detém um dos menores índices de desemprego feminino no Brasil devido à forte absorção de mão de obra pelo setor têxtil.






