A ARTE COMO IMPULSORA
DO DESEMPENHO NO ENEM


Com foco na formação integral, escolas Firjan SESI expandem projetos culturais para o Ensino Fundamental em 2026. Alunos da rede já superam médias estaduais e nacionais na redação e na nota final do exame

 

A integração entre a educação formal e as expressões artísticas deixou de ser apenas um complemento curricular para se consolidar como um pilar de sucesso nas 17 escolas Firjan SESI com Ensino Médio no estado do Rio de Janeiro. Atividades que abrangem desde o teatro e as artes visuais até fanfarras e cultura digital estão colhendo frutos quantitativos evidentes: o excelente desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 


“Acredito que o acesso a atividades artísticas e culturais é fundamental na formação de crianças e adolescentes. Cada indivíduo é uma ilha de criação; logo, a arte e a cultura ajudam a fazer florescer o potencial criativo das pessoas. O trabalho desenvolvido pela Firjan SESI proporciona uma libertação criativa para cada um de seus alunos, fornecendo possibilidades que a indústria criativa exige como processo industrial”, afirma Glaucia Camargos, presidente do Conselho Empresarial da Indústria Criativa da Firjan. 


Recordes na redação e excelência acadêmica 


Os números de 2024 chancelam a estratégia educacional. Os 1.801 alunos da rede Firjan SESI participantes do Enem alcançaram uma nota média de 618, superando os índices estaduais e nacionais. O destaque, no entanto, foi ainda mais expressivo na prova de redação: enquanto a média nacional foi de 663,64 e a das escolas privadas chegou a 774,77, os estudantes da Firjan SESI atingiram a marca de 783,5. O resultado supera também as médias das redes estaduais, federais e do próprio SESI nacional. 


Sarah de Araujo Alves, analista de Educação da Firjan SESI, explica que o grande diferencial está na construção de repertório. “Algumas questões dependem de o aluno ter acesso a um repositório cultural, a vivências literárias e a um conhecimento amplo de mundo. Acreditamos que esse é o diferencial das nossas escolas: desde a educação infantil, o estudante tem contato com a arte em suas mais diversas formas de existir”, ressalta. 


As atividades artísticas refletem positivamente não apenas nas provas, mas também no desempenho em outras disciplinas e no desenvolvimento comportamental. Segundo Marcielly Vanucci, especialista de Cultura e Arte da Firjan SESI, por meio das avaliações dos professores, nota-se que muitos alunos passam a ter maior facilidade de comunicação. 


Além dos dados quantitativos de excelência no Enem, temos os resultados qualitativos. Alunos que participaram do projeto Arte Maker, por exemplo, apresentaram um crescimento no entendimento de mundo e de sociedade que incide diretamente sobre a aprendizagem. Estamos em um ambiente escolar, garantindo o ensino de todas as disciplinas regulares, mas há um movimento transversal de abertura e de consciência social e individual. Trabalhamos intensamente a partir das linguagens artísticas”, detalha Marcielly. 


O programa da rede SESI busca fazer com que o aluno compreenda como a arte dialoga com os diferentes grupos sociais e como é interpretada por eles. “Analisamos, por exemplo, como grandes produções, a exemplo de pichações e grafites nas vias públicas, compõem a paisagem urbana, ou como a fotografia é capaz de traduzir a realidade”, exemplifica Robson Gomes de Brito, analista de Educação da Firjan SESI. 


A cultura e a arte fornecem ferramentas valiosas para as mais diversas áreas da vida e da trajetória profissional dos estudantes. “Receber esse estímulo cultural não significa que o jovem precise, obrigatoriamente, seguir uma carreira artística. Contudo, ao despertar esse interesse, abrem-se inúmeras possibilidades de atuação na indústria criativa”, pontua Glaucia Camargos. 


No primeiro ano do Ensino Médio, por exemplo, os professores abordam a perspectiva da linguagem discursiva da sociedade urbana por meio da fotografia, da escultura, do teatro, da dança e da música. O objetivo é mostrar como esses elementos são mobilizados por artistas e grupos para representar determinados contextos sociais. 

 

Curso de teatro para estudantes das Escolas Firjan SESI | Foto: Divulgação


O Enem exige exatamente essa capacidade de interligar saberes. O projeto de ensino da Firjan SESI oferece uma preparação robusta para os grandes vestibulares, ao mesmo tempo em que permite ao jovem produzir arte na prática, vivenciando o ambiente escolar. De acordo com Robson de Brito, há um forte respeito às culturas afro-brasileira e indígena, evidenciando aos adolescentes que esses elementos não apenas enriquecem a formação acadêmica, mas também promovem a humanização e a compreensão da sociedade atual. 


Para os especialistas da instituição, o sucesso nas redações está diretamente relacionado a essa ampliação do repertório cultural, que ensina o aluno a ler o mundo de forma mais empática, reflexiva e poética. O argumento social exigido nas provas é reflexo dessa vivência. “Na escola, respeitamos a individualidade do aluno, garantindo um maior entendimento sobre a realidade e permitindo que ele se expresse de maneira propositiva e acadêmica, indo além do simples cumprimento dos protocolos curriculares”, acrescenta Brito. 


Inovações e expansão para o Ensino Fundamental 


A rede também aposta na integração por meio de projetos literários consolidados, como o Rio de Letras, que conta com a participação de estudantes da Firjan SESI e de alunos de escolas estaduais convidadas. A seleção dos trabalhos, realizada sob chancela da Academia Brasileira de Letras (ABL), abrange crônicas, contos e poesias. Os textos escolhidos compõem um livro publicado institucionalmente, e os jovens autores são homenageados em um grande evento de premiação ao final do ano. 


Em outra frente de apoio ao aprendizado, os alunos da Região Metropolitana assistem a adaptações teatrais de obras literárias nos Teatros Firjan SESI. O projeto dramatiza títulos exigidos nos exames de qualificação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O objetivo é aliar a preparação para o vestibular à ampliação da bagagem cultural, tornando a compreensão textual mais tangível e estimulando o hábito da leitura. 


Entre as novidades projetadas está o edital STEAM en Jeans 2026, promovido em parceria com a instituição francesa Math en Jeans. Com a iniciativa, a Firjan SESI reafirma o papel da arte não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta científica e social de preparação para os desafios do futuro. A sigla STEAM engloba Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática. O edital recém-lançado convida professores da rede a formarem grupos de oito a dez alunos para conduzir um estudo científico com a mentoria de um professor universitário, com pesquisas que se estenderão até outubro de 2026. 


Na perspectiva dos estudantes, a arte é também um vetor de bem-estar. Para Gabriel Barros, de 17 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio em Produção Audiovisual na unidade Firjan SESI Laranjeiras, as atividades mostraram-se vitais para a manutenção da saúde mental. No último ano, ele participou do curso “Teatro, Adolescência e Cibercultura”. 


“O curso de teatro serviu como uma válvula de escape para o período de pressão do Ensino Médio. Além de trabalhar a dramaturgia, os professores conduziam atividades de relaxamento que ajudaram a reduzir a tensão pré-vestibular. E havia o momento de confraternização, importante para a troca de experiências”, relata o jovem, que planeja cursar Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense (UFF) e, na sequência, Artes Cênicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). 


Portfólio de cursos livres 


Para além da grade curricular regular, os estudantes têm acesso a cursos oferecidos pela Rede de Teatros Firjan SESI. Entre as opções estão o projeto Arte-Ação, no Teatro de Caxias (para o 1º e 2º ano do Ensino Médio), e a Iniciação ao Violão, no Teatro de Itaperuna (voltada para turmas do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental). 


São atividades livres, com durações que variam de acordo com a proposta pedagógica: enquanto a formação de Grafite e Intervenções Urbanas dura três meses e a de Beatmaker ocorre em dois, o projeto Arte-Ação estrutura-se em um ciclo de dois anos. 


No Ensino Fundamental, ganha destaque a Oficina de Slam, que promove o contato dos jovens com a poesia falada contemporânea, articulando escrita, performance e culturas urbanas por meio de exercícios de criação poética e leitura compartilhada. Já a oficina de Beatmaker — também voltada para o Fundamental — introduz os alunos no universo da música urbana e na produção de beats digitais, explorando noções de ritmo, timbres e estrutura musical. 

 

Para o Ensino Médio, o curso “Teatro, Adolescência e Cibercultura” aposta no hibridismo de linguagens, unindo artes cênicas, audiovisual, cinema e ambiente digital. As narrativas são construídas coletivamente e desdobradas em jogos, filmes, quadrinhos e práticas corporais, garantindo uma imersão completa e multidisciplinar. 

 

Iniciação ao violão, no Teatro Firjan SESI Itaperuna, voltado para turmas do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental | Foto: Divulgação

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