Copos de cerveja

SEM ÁLCOOL, SEM
GLÚTEN E EM ALTA


Cerveja zero dispara no Brasil e cresce 536% em um ano, com produção saltando para 757,4 milhões de litros. Categoria é a que mais avança na indústria cervejeira nacional

 

Impulsionado por investimentos e inovação de gigantes como a Ambev e o Grupo Heineken, o mercado brasileiro de cervejas sem álcool e sem glúten vive sua fase mais acelerada. A produção de cerveja zero disparou 536,9% entre 2023 e 2024, saltando de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), consolidando a categoria como a que mais avança em crescimento percentual na indústria cervejeira.

 

O Brasil, país historicamente associado ao consumo de cerveja tradicional, passa por uma transformação acelerada. As cervejas sem álcool e sem glúten deixaram de ocupar nichos restritos e passaram a integrar de forma consistente o portfólio das grandes indústrias e a rotina dos consumidores. Dados do Sindicerv mostram que o movimento está longe de ser pontual: trata-se de uma mudança estrutural no mercado.

 

De acordo com o Anuário da Cerveja 2025, o crescimento da produção da bebida sem álcool ou desalcoolizada (com teor igual ou inferior a 0,5%) consolida a categoria como uma das mais dinâmicas da indústria cervejeira nacional. Hoje, a cerveja zero já representa 4,9% da produção brasileira e segue em trajetória ascendente.

 

arte cerveja zero

 

Tendência consolidada

 

Longe de ser modismo, a cerveja zero se consolida como parte da paixão histórica do brasileiro pela bebida. Mantém os mesmos ingredientes, a mesma tradição e a mesma essência, mas com novas possibilidades para diferentes estilos de vida.

 

A meta global do Grupo Heineken é que as cervejas zero álcool representem pelo menos 10% do mercado mundial da companhia. No Brasil, a perspectiva é de continuidade do crescimento, impulsionado por inovação, diversificação e pela busca crescente por equilíbrio.

 

Segundo Maria Fernanda Cunha, diretora de Relações Institucionais do Grupo no Brasil, o segmento acompanha a dinâmica do mercado, mas com forte aceleração.

 

“Atualmente, as categorias de cerveja zero álcool e sem glúten representam cerca de 5% do mercado de cervejas no Brasil. No entanto, são estratégicas por seguirem um crescimento acelerado e superior ao do mercado regular. Elas desempenham papel relevante na diversificação de portfólio e no fortalecimento de uma relação mais equilibrada com o consumo”, afirma.

 

Nova frente de negócios no Brasil

 

A Ambev afirma que o consumo dessas bebidas deixou de ser apenas tendência para se consolidar como uma nova frente estratégica de crescimento. Segundo a companhia, as chamadas “escolhas equilibradas” já mostram resultados expressivos.  

 

produção da cerveja zero
Produção da cerveja zero da Corona, uma das marcas da Ambev, que aposta no segmento como nova frente estratégica de crescimento (Foto: Divulgação Ambev)

 

“A cerveja é uma paixão nacional e faz parte da vida dos brasileiros, marcando presença em diversas ocasiões. As novas tendências de consumo são, para nós, motores de crescimento da categoria. Observamos esse movimento há alguns anos e nos preparamos – com investimento em inovação e em um portfólio pronto – para atender a essa nova demanda e hoje vemos esse esforço dar resultado”, afirma Anna Paula Alves, diretora de Categoria Cervejeira da Ambev.

 

Plataforma exclusiva para a categoria

 

Diante desse cenário, o Sindicerv lançou o site Cerveja Zero, espaço online dedicado à conscientização e à divulgação de informações sobre a cerveja sem álcool no Brasil. A plataforma reúne dados setoriais, explicações sobre os processos produtivos, curiosidades e respostas às dúvidas mais frequentes do público.

 

“A proposta é contribuir para dar mais informação qualificada e esclarecer dúvidas frequentes de consumidores, jornalistas e das demais pessoas interessadas no tema”, afirma Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv.

 

Segundo ele, a evolução da cerveja zero reflete uma exigência crescente do consumidor brasileiro. “O brasileiro está buscando mais equilíbrio e liberdade na hora de consumir cerveja. As versões sem álcool oferecem isso com sabor, qualidade e inovação”, diz.

 

Maciel destaca que a categoria amplia as possibilidades de socialização, permitindo que mais pessoas participem de momentos de convivência, inclusive aquelas que optam por não consumir álcool em determinadas situações. “Trata-se de uma evolução natural do portfólio do setor, em sintonia com tendências globais de consumo consciente,” revela.

 

A consultoria Euromonitor International estima que os dados de 2025 devem registrar um novo recorde histórico: 785 milhões de litros comercializados no país. Para efeito de comparação, em 2019 o volume vendido foi de 140 milhões de litros. Entre 2019 e 2024, o mercado de cervejas zero e low álcool no Brasil cresceu a uma taxa média anual próxima de 40%. Para os próximos anos, a projeção é de expansão consistente entre 10% e 15% ao ano.

 

O Brasil já ocupa a posição de segundo maior consumidor mundial de cerveja zero, reforçando o protagonismo do país nesse segmento que acompanha uma tendência global de consumo mais consciente.

 

Sem glúten: diversificação e inclusão

 

cerveja Heineken 0.0
A Heineken 0.0 foi pioneira ao redefinir o mercado de cervejas zero álcool no Brasil, segundo a diretora Maria Fernanda (Foto: Divulgação Heineken)

 

Paralelamente ao avanço das versões zero álcool, as cervejas sem glúten também ganham espaço. Embora ainda minoritárias em volume total, são consideradas estratégicas por apresentarem crescimento superior ao do mercado regular.

Entre os rótulos disponíveis no país no Grupo Heineken, estão Heineken 0.0, Praya (sem glúten), Amstel Ultra (com menor teor alcoólico e sem glúten), Sol regular (sem glúten) e Sol 0.0 (zero álcool e sem glúten).

 

Maria Fernanda destaca que a Heineken 0.0 foi pioneira ao redefinir o mercado de cervejas zero álcool no Brasil, com a proposta de oferecer experiência sensorial equivalente à versão tradicional. “É a cerveja zero álcool mais consumida no mundo”, ressalta.

 

Nova frente de negócios no Brasil

 

Para a Ambev, o crescimento está associado à ampliação de ocasiões de consumo. “A cerveja zero álcool não substitui, ela soma. Amplia possibilidades, cria novas ocasiões e reforça nosso compromisso de evoluir junto com quem faz da cerveja parte da sua história”, reforça Anna Paula.

 

A empresa também cita o chamado “efeito zebra”, movimento em que consumidores intercalam, na mesma ocasião, versões com e sem álcool, ampliando o tempo de socialização com mais equilíbrio e moderação.

 

No portfólio de zero álcool estão Corona Zero, Budweiser Zero, Brahma Zero e a recém-lançada Skol Zero Zero, apresentada como a primeira cerveja zero álcool e zero açúcar do Brasil. Já no segmento de menor teor alcoólico, menos calorias e opções sem glúten, destacam-se a Stella Artois Pure Gold e a Michelob Ultra.

 

Ainda segundo a diretora, a cerveja zero álcool já se encaixa em diferentes situações, “seja em um almoço, após a atividade física ou em um happy hour no meio da semana. O movimento aponta para um futuro com mais alternativas, sem abrir mão do papel da cerveja como elo de conexão e símbolo dos encontros que marcam a cultura brasileira”.

 

Tecnologia e preservação do sabor

 

Um dos principais fatores que explicam o crescimento é o avanço tecnológico. A cerveja zero nasce com os mesmos ingredientes da tradicional: água, malte, lúpulo, levedura e passa pelo mesmo processo de fermentação natural. A diferença está na etapa final, quando o álcool é retirado por métodos como a desalcoolização a frio ou a fermentação controlada.

 

Essas tecnologias permitem preservar aroma, corpo e características sensoriais, superando a antiga percepção de que a cerveja sem álcool teria sabor inferior. “A zero não perde o sabor, ela protege o sabor. É uma alternativa para treinar, trabalhar, dirigir, estender a noite ou simplesmente celebrar com mais leveza”, reforça Maciel.

 

Entre os momentos de consumo dessas cervejas estão situações que exigem atenção, como direção, eventos diurnos, prática esportiva, compromissos profissionais ou períodos de gestação e amamentação.  

 

No Rio de Janeiro, o crescimento acompanha a tendência nacional. O clima quente, a cultura de convivência ao ar livre e a valorização do bem-estar criam ambiente favorável para o avanço dessas categorias. O estado figura entre os mais relevantes para o setor, um dos que mais empregam e, segundo o Anuário MAPA, é o estado com a maior dispersão de cervejarias no Brasil, com 43,5% de seus municípios possuindo pelo menos um estabelecimento.'' 

 

No Rio de Janeiro, o crescimento acompanha a tendência nacional. O clima quente, a cultura de convivência ao ar livre e a valorização do bem-estar criam ambiente favorável para o avanço dessas categorias. O estado figura entre os mais relevantes para o setor, um dos que mais empregam e, segundo o Anuário MAPA, é o estado com a maior dispersão de cervejarias no Brasil, com 43,5% de seus municípios possuindo pelo menos um estabelecimento.''

 

Para se tornar um cervejeiro

 

Segundo Érica Dias, técnica de Educação do Centro de Referência em Alimentos, Bebidas e Panificação da Firjan SENAI SESI Tijuca, o avanço do mercado de cervejas sem álcool também impulsiona a qualificação profissional e a inovação no setor. A unidade oferece desde cursos técnicos e de qualificação, com aulas presenciais, até treinamentos customizados para indústrias de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, além de atender o público em geral.


“Nosso objetivo é apoiar toda a cadeia produtiva, desde produtores de matéria-prima até o desenvolvimento de novos produtos”, afirma. Érica destaca ainda que, além da formação educacional, a Firjan SENAI disponibiliza serviços tecnológicos e de pesquisa, incluindo ensaios laboratoriais, consultorias e desenvolvimento de produtos, contribuindo para o aumento da produtividade e da qualidade no segmento de alimentos e bebidas.

 

Mais informações sobre cursos da Firjan SENAI no segmento de cervejas realizados no Centro de Referência de Alimentos e Bebidas podem ser obtidas pelo site ou no Centro de Referência, na Rua Morais e Silva, 53, no bairro Maracanã/Tijuca, na capital.