Foto de pedreira

SETOR DE BRITA GARANTE
ENERGIA MAIS ESTÁVEL


Com apoio da Firjan, pedreiras do estado do Rio de Janeiro estão conseguindo evitar oscilações de energia elétrica

 

Uma oscilação de energia de apenas alguns segundos é suficiente para provocar prejuízos significativos nas indústrias e, em alguns casos, até causar consequências mais graves, como acidentes de trabalho. É o que acontece no setor de brita: o produto manufaturado mais consumido do estado do Rio de Janeiro, que compõe a infraestrutura do estado com 20 milhões de toneladas por ano, cerca de três toneladas por segundo, e depende de um consumo de 200 gigawatts/hora de energia elétrica contínua por ano para ser produzido. Isso é equivalente ao dobro do consumo da população de uma cidade como Búzios, por exemplo, que possuía 40.006 habitantes em 2022, segundo Censo do IBGE.  

 

O fornecimento instável reduz a competitividade das 53 pedreiras do estado, cerca de 40 associadas ao Sindicato da Indústria de Mineração de Brita do Estado do Rio de Janeiro (Sindibrita), que faz 70 anos em 2026, em 29 municípios do estado do Rio de Janeiro. Todo concreto usa aproximadamente 85% de brita. Uma pavimentação, a construção de residências, viadutos, escolas ou qualquer edificação necessita desse insumo. Para contribuir com a mudança nesse cenário, a Firjan passou a construir uma solução por meio da aproximação das concessionárias Light e Enel com as indústrias.  

 

“A estabilidade do fornecimento de energia elétrica é condição básica para que setores estruturantes, como o de brita, possam operar com segurança, eficiência e previsibilidade. Quando falamos de brita, estamos falando diretamente de habitação, saneamento, mobilidade e infraestrutura urbana. Garantir energia de qualidade para esse setor é garantir desenvolvimento para o estado do Rio de Janeiro,” analisa Antonio Carlos Vilela, presidente do Conselho Empresarial de Energia Elétrica da Firjan.

 

arte sobre produção de brita

 

“Foi fundamental a participação da Firjan, colocando-se à disposição das dificuldades do setor. As falhas de fornecimento dos sistemas Light e Enel impactam, trazendo muito prejuízo. A Firjan tem uma força maior que o sindicato sozinho e as indústrias para mostrar o problema. As reuniões conjuntas com as concessionárias, os produtores e a federação trouxeram soluções imediatas, algumas já repercutiram no dia a dia. Outras demandam maior investimento e serão feitas a médio prazo”, explica o presidente do Sindibrita, Felipe Barcelos.

 

A ação oferecida pela Firjan para garantir maior estabilidade da energia para o segmento tem apresentado resultados concretos para as empresas. Entre as pedreiras associadas, as regiões de Caxias, Nova Iguaçu e a capital lideram com 21 unidades de produção, seguidas pelo Norte Fluminense (sete), Sul (quatro), Serrana (três), Leste (três) e Centro-Sul (uma).  

 

“A brita é o produto manufaturado mais consumido no estado do Rio de Janeiro. São quase três toneladas consumidas por segundo de trabalho. Somos uma usina de infraestrutura, pois não há habitação, saneamento e transporte sem brita. Eu costumo dizer que o nosso setor não produz brita, produz infraestrutura e, com ela, segurança, conforto e qualidade de vida para a população.” A afirmação é de Pedro Alberto Rodrigues Couto, assessor executivo do Sindibrita, que está há 35 anos no setor.

 

De acordo com o assessor do sindicato, o setor de produção de minerais agregados não pode existir sem energia. A dependência é direta, de absoluta necessidade. E quando o fornecimento se torna instável, uma sequência de problemas compromete a produtividade e acarreta prejuízos consideráveis.

 

“Imagine uma planta de beneficiamento com equipamentos pesados em plena operação que sofra uma interrupção abrupta na energia. Com centenas de toneladas de rocha em processo de cominuição, ou seja, britar a pedra, transformando-a em partículas finas, que é o pó de pedra, ou até partes mais grossas, dentro dos equipamentos, que só podem ser religados após seu esvaziamento completo. Isso provoca prejuízo, riscos de acidente e colapso na cadeia produtiva da construção”, explica Couto.

 

O trabalho, que vem sendo realizado desde abril de 2025, trouxe resultados relevantes, especialmente em relação aos novos canais de comunicação entre a concessionária Light e as empresas associadas ao Sindibrita, agilizando as informações de ambos os lados.  

 

Pres. Sindibritas em pedreira
Felipe Barcelos elogia a iniciativa da Firjan de aproximar cliente e fornecedor de energia do setor de brita (Foto: Arquivo Pessoal) 

 

"A iniciativa da Firjan de aproximar cliente e fornecedor está trazendo resultados positivos em melhoria na qualidade da energia. Além de diagnosticar e buscar solucionar as demandas de cada empresa individualmente, vimos um esforço adicional no estabelecimento de canais de comunicação mais ágeis por parte da Light. É de grande utilidade a mediação que a federação faz entre o setor e as concessionárias para tentar resolver os problemas de estabilidade no fornecimento de energia elétrica desta atividade industrial, que é extremamente dependente desse insumo”, ressalta Barcelos.

 

As conversações com a Enel estão no início, mas a empresa também se mostrou interessada em resolver as questões. Metade de toda energia consumida pelo setor industrial de produção de pedra britada é de natureza elétrica, de acordo com o sindicato. A outra metade é dividida entre energia de ruptura fornecida por explosivos industriais e energia de transporte fornecida pelo óleo diesel. A energia elétrica move britadores, peneiras vibratórias classificadoras, correias transportadoras e demais equipamentos que transformam a rocha bruta em material classificado por granulometrias para uso no concreto, no leito das ferrovias, no asfalto, na construção de edificações diversas, em tubos de saneamento etc.

 

O consumo per capita de brita, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM) e da indústria (Fiesp/Sindipedras), é de cerca de 1,2 tonelada por habitante/ano. Mas existe uma demanda reprimida de saneamento, transporte e habitação que pode aumentar significativamente esse valor.

 

O Sindibrita e a Firjan têm uma parceira histórica do setor no estado. O Rio de Janeiro é um estado com muitos problemas de furto de energia, furto de cabos, redes obsoletas etc., o que reflete no custo da energia, uma das mais caras do Brasil. Contudo, representantes do Sindicato acreditam que é preciso criar mecanismos que minimizem esses entraves ao desenvolvimento.

 

Light acompanha e revisa

Concessionária carioca implantou comunicação direta com os empresários, agilizando o atendimento às pedreiras (Foto: Divulgação)

 

A Light fortaleceu a comunicação direta dos empresários com a concessionária, estreitando o relacionamento desses consumidores com os executivos de contas responsáveis por cada cliente.

 

“A empresa intensificou o relacionamento com os clientes do setor de britas por meio da área responsável pelo relacionamento comercial, que atua como ponto focal e canal estruturado de entrada das demandas desses consumidores. Nesse processo, foram reapresentados os executivos de contas responsáveis por cada cliente, bem como seus respectivos canais de contato, fortalecendo a comunicação direta, a agilidade no atendimento e o acompanhamento mais próximo das demandas apresentadas pelo setor”, disse Andrea Bastos, gerente de Relações Institucionais da Light.

 

Para a gerente da companhia, a atuação da Firjan tem sido positiva e estratégica, cumprindo um papel relevante de interlocução entre a Light e o setor industrial de britas. A intermediação da federação contribuiu para a identificação das principais demandas, a organização das reuniões por regionais e o alinhamento de expectativas entre as indústrias e a Light quanto às ações e aos encaminhamentos adotados.

 

O plano de ação da Light é acompanhado com revisões periódicas a partir das inspeções e informações levantadas junto aos clientes.  

 

“Já foram realizadas reuniões em todas as regionais envolvidas, com mapeamento das interrupções registradas, identificação das causas e implementação de ações corretivas para situações pontuais. O acompanhamento permanece contínuo, com foco na prevenção de novas ocorrências, no monitoramento da rede e na priorização das demandas com maior impacto para as operações industriais”, de acordo com a gerente.  

 

Articulação em conjunto

 

“O trabalho da Firjan vem trazendo ótimos resultados para a competitividade da indústria no Rio de Janeiro porque é articulado em conjunto. Ele consegue reduzir as falhas de fornecimento após a identificação de problemas recorrentes. É bom lembrar que a energia elétrica é um fator fundamental na competitividade das indústrias; então, ela tem que ser fornecida com qualidade e preço acessível. E esse trabalho da Firjan contribui para isso”, diz Tatiana Lauria, especialista em Estudos de Infraestrutura da Firjan, destacando também a importância da melhoria na comunicação entre as partes.

 

Tatiana explica que, com a intermediação da Firjan para reunir os envolvidos, a Light ouve as preocupações dos empresários, faz um diagnóstico e traça planos de ação para melhoria do fornecimento. As iniciativas da concessionária incluem poda de árvores e manutenção da redistribuição, entre outras medidas, levando à redução das oscilações.

 

“As oscilações de energia trazem impactos no funcionamento da produção. Os resultados da articulação da Firjan podem ser vistos na redução dessas instabilidades, paradas, e na melhoria na comunicação, no atendimento às indústrias. É importante ter um canal direto com o executivo de conta deles, porque é possível resolver os problemas mais rapidamente diante de uma emergência”, esclareceu a especialista.