
Publicado em 04/02/2026 - Atualizado em 04/02/2026 15:14
INCENTIVOS À INDÚSTRIA
DA SILVICULTURA
A Firjan incentiva o desenvolvimento da silvicultura econômica no estado e projeta um potencial de atrair indústrias do setor, que podem incrementar o PIB fluminense em até 0,7 ponto percentual em 5 anos
O estado do Rio de Janeiro ocupa um papel secundário no setor florestal brasileiro, com cerca de 1% da produção nacional, atuando majoritariamente como importador de insumos, apesar de possuir um enorme potencial produtivo. O investimento em silvicultura planejada, na avaliação da Firjan, pode reverter esse cenário, transformando o Rio em um stakeholder estratégico, assumindo um papel de destaque nacional como a nova fronteira nacional da silvicultura econômica.
O desenvolvimento da silvicultura fluminense, a indústria de árvores plantadas, possui forte potencial para atração de indústrias do setor, com um incremento de até 0,7 ponto percentual no PIB do estado em cinco anos; aumento da arrecadação de impostos estaduais e municipais em até R$ 405 milhões/ano. Além disso, há também o potencial para geração de créditos de carbono.
“A silvicultura econômica desponta como um dos pilares da indústria nacional, sustentada por aportes robustos de investimentos, geração de emprego e renda e pelo avanço da arrecadação de tributos”, pontua Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan. Para ele, o estado do Rio de Janeiro tem diante de si uma oportunidade rara: transformar áreas improdutivas em polos de desenvolvimento sustentável, diversificar a sua matriz econômica e alinhar-se às exigências internacionais de descarbonização, além de explorar a exportação desses produtos.
Caetano argumenta que muito mais do que a produção de eucalipto, a silvicultura representa o cultivo, o manejo e a conservação de florestas e áreas arborizadas, com o objetivo de produzir madeira, papel, biomassa vegetal e outros produtos de forma sustentável.
“A silvicultura econômica é mais do que uma alternativa: é uma necessidade estratégica. Se o estado do Rio de Janeiro trabalha para recuperar o protagonismo industrial que merece e se posicionar como referência em sustentabilidade, precisa abraçar essa agenda com coragem e com visão de futuro”, enfatiza.

O momento, de acordo com o presidente da Firjan, é agora, e perder essa chance seria repetir o erro histórico de assistir ao progresso passar pela janela sem participar dele. "A bioeconomia, com seus bioplásticos, tecidos inovadores e combustíveis sustentáveis, não é mais uma promessa distante, mas uma realidade em construção. O estado do Rio pode e deve ser protagonista nesse movimento”, ressalta
A Firjan cita exemplos: no contexto da bioeconomia, pesquisa, inovação e biotecnologia são aplicadas na fabricação de novos materiais a partir de produtos e subprodutos madeireiros. Como na produção de bioplásticos, de tecidos para vestuário, de produtos farmacêuticos, biocombustível sustentável de aviação (Sustainable Aviation Fuels – SAF), o querosene fabricado a partir de resíduos de plantios florestais e a nanocelulose como barreira contra líquidos e gases, em substituição ao plástico e alumínio em embalagens de papel.
Articulação por novo arcabouço legal
A federação trabalhou por mais de oito anos, no âmbito estadual, para a publicação da Lei 9.972/2023, que instituiu a Política de Desenvolvimento Florestal, simplificando o licenciamento ambiental por meio do Relatório Ambiental Simplificado (RAS) e criando cinco Distritos Florestais em áreas de pastagens de baixa produtividade e degradadas, totalizando 631 mil hectares, dos quais 334 mil destinados à silvicultura.

A atuação da Firjan tem sido ao lado da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (Sedeics) e da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) em prol de um novo arcabouço legal para a Silvicultura Econômica no Estado do Rio de Janeiro. Os Distritos Florestais foram definidos pelo Decreto 45.597/2016, com base no Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), em áreas de pastagens de baixa produtividade e em áreas degradadas.
Um dos principais entraves históricos para o desenvolvimento da silvicultura econômica no estado do Rio era a exigência de extensos estudos para avaliação de impacto ambiental em áreas acima de 200 hectares, considerada inviável técnica e economicamente pela Firjan e por especialistas do setor. A publicação da Lei 14.876, sancionada em maio de 2024 pelo governo federal, a qual excluiu a silvicultura do rol de atividades potencialmente poluidoras, indica que esse conceito ficou no passado.
No entanto, a federação acredita que o Rio de Janeiro precisa harmonizar sua legislação estadual para que o plantio de florestas econômicas seja tratado como uma atividade agrícola comum, reduzindo custos e tempo de espera por licenças ambientais necessárias.
Descarbonização e investimentos
Durante o evento Minas Day, em novembro de 2025, na Casa Firjan, Carlos Erane de Aguiar, 1º vice-presidente da federação, enfatizou que, sob a ótica ambiental, a silvicultura econômica é um importante fator de descarbonização através da captura e estoque de CO2 pelas árvores plantadas, contribuindo para o atingimento das metas do Acordo de Paris, assim como à adaptação ao Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), já em vigor na União Europeia.
Além disso, as emissões liberadas através da combustão de biomassa e de carvão vegetal já foram absorvidas durante o crescimento de plantas, musgos, samambaias e algas, que são caracterizados por produzirem seu próprio alimento via fotossíntese, possuírem células com celulose e serem essenciais para a vida na Terra, liberando oxigênio e formando a base das cadeias alimentares. Além do uso de árvores plantadas que também reduzem a pressão sobre a vegetação nativa.

“Percebemos importantes sinalizações por parte da indústria fluminense. No setor de cerâmica vermelha, por exemplo, a biomassa vegetal corresponde a 92% do consumo de energia na produção. Também temos empresas no estado do Rio que já anunciaram a substituição parcial do carvão mineral por biomassa e uma estratégia de produção de derivados de madeira, como carvão vegetal, pellet de madeira e celulose”, destacou o empresário.
Erane salienta que a silvicultura tem potencial de atrair investimentos da ordem de R$ 11,5 bilhões com o plantio e a construção de novas instalações industriais nos próximos cinco anos, segundo estimativa da Firjan. A estimativa também é de criação de empregos diretos e indiretos na cadeia de produção, considerando, produção florestal, mais setor de apoio, papel, celulose e móveis. “O estado do Rio certamente não pode abrir mão, nem perder de vista esses números”.
Para tirar definitivamente essa esperança do papel, o 1° vice-presidente da Firjan destaca que é necessário o estabelecimento de um processo simplificado para o licenciamento ambiental dos cinco Distritos Florestais, já previstos na política pública. Diante disso, a federação sugeriu que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) institua a Licença Ambiental Comunicada como instrumento de licenciamento ambiental para as atividades de silvicultura no estado. Assim, o Rio ficaria em patamar de igualdade com outros estados da federação que já simplificaram a exploração da silvicultura.
Demanda muito maior que produção
Dados de 2023, organizados pela Firjan, revelam que a demanda anual fluminense por produtos de silvicultura é equivale a 120 mil hectares, ou 120 mil campos de futebol. No entanto, a produção local atende apenas a 10,6% do consumo, o que obriga o estado a importar 89,4% da madeira necessária, ou seja, cerca de 3,6 milhões de m³ por ano.

O Brasil é o maior exportador mundial de celulose e o segundo maior produtor global, de acordo com dados da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) em 2024. O ano fechou com US$ 15,7 bilhões em exportações de produtos. No primeiro trimestre de 2025, a atividade representou cerca de 5,2% das exportações brasileiras, reforçando sua relevância para a balança comercial.
A geração de emprego no setor de árvores plantadas no país foi responsável por 2,8 milhões de postos de trabalho diretos e indiretos em 2024, além de ter gerado cerca de R$ 21 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais, o equivalente a 0,9% da arrecadação nacional, de acordo com a IBÁ. Projetos em curso para expansão de plantios, ampliação de fábricas e novas unidades em todo o país somam R$ 105,4 bilhões até 2028, com destaque para investimentos em plantas industriais e infraestrutura logística, pela estimativa da Indústria de Árvores.
Em 2024, o Brasil atingiu 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas, com espécies como eucalipto, pinus, acácia, araucária, paricá e teca. Do total de 9 milhões de hectares destinados a fins comerciais no país, 42% concentram-se no Sudeste, 21% no Sul, 9% no Norte e 8% no Nordeste. No Rio de Janeiro, a participação ainda é tímida, com pouco mais de 32 mil hectares, equivalente a cerca de 1% da produção nacional.







