Ar-condicionado split

REFRIGERAÇÃO
SEM RISCOS


Manutenção e instalações devem seguir regras rígidas para evitar acidentes e prejuízos à saúde

 

As altas temperaturas do verão e do veranico causam o desgaste maior de aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e filtros de água elétricos, que são mais demandados e, por isso, exigem manutenção preventiva e em casos de defeito, manutenções corretivas, segundo especialistas. Mas o alerta do Sindicato da Indústria da Refrigeração, do Aquecimento e do Tratamento do Ar do Estado do Rio de Janeiro (Sindratar) é que empresas e pessoas físicas optem por contratar profissionais qualificados, registrados nos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), de Técnicos Industriais (CRT-RJ) ou em empresas certificadas.

 

“Queremos reforçar a importância da responsabilidade técnica que existe na prestação dos serviços. É essencial que as manutenções e as instalações, principalmente dos equipamentos de ar-condicionado, sejam feitas por técnicos formados por instituições oficiais, como a Firjan SENAI, ou que sejam contratadas empresas certificadas para o serviço. Esse alerta é para os síndicos de prédios residenciais e comerciais, para as empresas de qualquer porte e para os consumidores em geral”, avisa Leonardo Salles, presidente do Sindratar.

 

Para Jonatha Silva Henriques, técnico de educação no segmento de refrigeração da Firjan SENAI Benfica, nesta época do ano, consumimos mais desses tipos de equipamentos, por isso uma manutenção preventiva bem-feita deve ser sempre realizada. “A falta desse serviço pode levar o equipamento a operar acima da sua capacidade nominal, causando um desgaste excessivo e reduzindo sua eficiência operacional”, resume Henriques.

 

Sobre o ar-condicionado, existe o Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), que é um conjunto de documentos e procedimentos obrigatórios pela Lei Federal 13.589/2018, para todos os edifícios públicos ou coletivos que possuam sistemas de climatização.

 

O objetivo central do plano é garantir a higienização dos sistemas e a qualidade do ar interior, zelando pela saúde dos ocupantes e pela eficiência energética dos equipamentos. Por exemplo, em um aparelho instalado em ambiente de alta salinidade (em áreas litorâneas), a limpeza da serpentina — que normalmente ocorre de forma semestral ou anual — tem sua periodicidade reduzida para garantir a integridade do ativo.

 

“A negligência na manutenção preventiva não apenas reduz a vida útil do equipamento, mas também gera riscos graves à segurança. Casos trágicos, como os incêndios no Ninho do Urubu (Centro de Treinamento do Flamengo) e no Museu Nacional, demonstram como aparelhos em condições precárias podem ser o ponto de origem de sinistros fatais”, constata Henriques.

 

Galpão com aparelhos de ar condicionado
Apenas empresas e profissionais certificados podem realizar manutenção de ar-condicionado (Foto: Divulgação Firjan SENAI)

 

Os síndicos devem colocar uma norma no regimento interno do condomínio para que as instalações e manutenções de ar-condicionado split sejam feitas por profissionais qualificados. Senão, em caso de acidentes, eles poderão ser corresponsáveis pelos sinistros junto com moradores ou empresários.  

 

No site do Sindratar é possível verificar as empresas que são associadas e, portanto, certificadas. O consumidor deve informar à empresa contratada que vai precisar da anotação de responsabilidade técnica (ART) para prestação do serviço. Essa anotação só pode ser fornecida por profissionais registrados junto ao Crea ou ao CRT.  

 

Se eventualmente, ocorrem acidentes, como suportes que caem ou curto-circuitos que causam incêndios, a ART garante que a responsabilidade é do técnico ou da empresa de refrigeração. Por outro lado, o Sindratar tem discutido junto ao CRT e o Crea a questão dos profissionais sem certificação.  

 

Manutenção

 

O técnico do SENAI explica que é preciso fazer a limpeza dos filtros dos equipamentos e, periodicamente, substitui-los. Sem isso, não há troca de calor de forma adequada. Assim, o compressor passa a ser mais exigido, levando à exaustão dos componentes do aparelho. A periodicidade da manutenção depende da montadora e vem descrito no manual do aparelho. Esse intervalo também pode ser alterado de acordo com a localidade onde o equipamento está instalado. Por exemplo, a condensadora, que é aquela unidade externa do ar-condicionado split, também deve ser lavada. Isso é chamado de jatear as serpentinas, para poder tirar dali as impurezas que atrapalham a troca de calor do equipamento.

 

O tratamento é diferente em um equipamento instalado no Centro do Rio e em outro próximo à praia. Como a praia é um ambiente mais agressivo, por conta da salinidade, assim como restaurantes, devido à gordura, a periodicidade de manutenção é menor. ´´Os fabricantes recomendam uma vez por ano, mas é preciso analisar caso a caso”, diz Henriques.

 

Geladeira

 

A geladeira também tem um sistema de refrigeração com gás inflamável. Porém, é um equipamento que vem fechado, testado de fábrica, da mesma forma que um aparelho de ar-condicionado de janela. A instalação é bem simples: basta ligar na tomada, igual a uma air fryer, diz Salles.

 

Na geladeira, o papel do compressor, de como todo o sistema de refrigeração, é manter aquele local refrigerado. E toda vez que é feita a abertura dela de forma prolongada, entra o calor externo. Como no verão, o compressor é mais exigido, o técnico aconselha evitar abrir a porta muitas vezes e inserir alimentos quentes, além de atenção se a borracha de vedação precisa ser trocada, afirma Henriques.

 

Duas portas de geladeiras industriais
Câmaras frigoríficas também exigem manutenção e instalação especiais (Foto: Divulgação Firjan SENAI) 

 

Ar-condicionado split

 

Em um ar-condicionado split, em que há uma máquina na parte interna do imóvel e outra na parte externa, é preciso fazer essa interligação. É necessário um técnico, que vai ligar os tubos por onde passa o gás Inflamável às duas partes do aparelho.

 

Para o split, devido à configuração do sistema em unidades individualizadas (evaporadora e condensadora), a ligação das duas partes é feita por meio de tubos onde circulam os gases. Neles podem ocorrer pontos de vazamento. Em ar-condicionado de carros, também podem ocorrer vazamentos de gás, que devem ser consertados, antes de nova recarga.     
 

Cotidiano

 

Em janeiro deste ano, um shopping da zona norte da Capital sofreu um incêndio de grandes proporções iniciado em uma loja no subsolo, que causou duas mortes e interdição. O local já foi reaberto e cinco pessoas foram indiciadas pelos crimes de incêndio doloso qualificado por morte, lesão corporal culposa, de perigo para a vida ou saúde e fraude processual. Salles explica que em 99% dos casos, o fogo não se inicia no ar-condicionado.

 

“A máquina não pega fogo. Muitas vezes a causa é o sistema elétrico mal dimensionado, tem um curto-circuito e o fogo atinge a máquina. Tentamos desmistificar isso.”

 

No caso do shopping, foi denunciado que a casa das máquinas do ar-condicionado estava também sendo usada como depósito de papéis e outros materiais inflamáveis. Então qualquer curto-circuito e fogo tem a tendência de se espalhar mais rapidamente, segundo Salles.  

 

Cursos Firjan SENAI

 

Para suprir essa carência de mão de obra, a Firjan SENAI oferece vários cursos na área de refrigeração, presencial, on-line e in company. O curso Técnico em Refrigeração e Climatização, de duração de um ano e meio, possui entradas semestrais e é gratuito. Em Benfica, há diversas ofertas no segmento, mas outras unidades como Jacarepaguá, Vicente de Carvalho, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu também oferecem cursos de refrigeração. Há ainda os cursos de qualificação mais rápidos e também gratuitos, como o de Mecânico em Refrigeração Comercial e Mecânico de Climatização Residencial.  

 

A Firjan SENAI desenvolve cursos de aperfeiçoamento, que são treinamentos focados na realidade das indústrias, nas unidades ou no formato in company. “Priorizamos o diagnóstico preciso: realizamos reuniões de alinhamento e visitas técnicas detalhadas para analisar a estrutura e definir a estratégia de capacitação mais eficiente”, explica Thiago Cordeiro da Costa, técnico de Educação da Firjan SENAI Benfica.

 

Arte sobre cursos Firjan SENAI

Os laboratórios de Refrigeração da Firjan SENAI Benfica são equipados com aparelhos de ar-condicionado doados por empresas, estruturas de primeira geração, montados por meio de uma parceria com o Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), um órgão ambiental alemão que também é parceiro do Ministério do Meio Ambiente na coordenação do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (Hidroclorofluorcarbonos, que são gases utilizados em refrigeração). Eles seguem um programa que lida com as boas práticas da refrigeração. Assim, os alunos aprendem a dominar a aplicação técnica de fluidos naturais, priorizando a segurança e a eficiência energética na refrigeração.

 

A parceira alemã investiu também em um laboratório que reproduz o ambiente de um supermercado, com ilhas, expositores e câmaras frigoríficas, além de apresentar também a parte interna com os hacks de bombas e compressores, que na maioria das vezes ficam na casa de máquinas.

 

Há ainda as parcerias com os diversos fabricantes de ar-condicionado que fornecem aparelhos para a Firjan SENAI Benfica. Assim, os alunos aprendem na prática com tecnologias atuais do mercado.

 

“É uma grande estratégia para refrigeração no Rio de Janeiro. O laboratório é de última geração, ferramentas e instrumentos novos”, orgulha-se Thiago Costa.

 

Pesquisa Abrava

 

A produção industrial do setor de refrigeração, ar-condicionado e aquecimento se mantém aquecida desde 2024, segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).

 

A produção de equipamentos do tipo split atingiu mais de 5,9 milhões de unidades em 2024, e o ritmo se manteve elevado até novembro de 2025 (crescimento de 8% acumulado em relação ao mesmo período de 2024). O pico de produção foi até junho de 2025, quando começou a decair até o fim do ano.

 

Os indicadores financeiros pesquisados pela Abrava mostram início de processo de retração da atividade no setor. O crescimento do faturamento médio de 2,8% no 3º trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior e a expectativa de faturamento para 2025 caiu de 13% para 7,6%. Mas a pesquisa ainda apontou uma expectativa otimista para 2026, de crescimento de 10,8% nas vendas.

 

Pesquisa mostra situação do mercado

Qualidade do ar  

 

A manutenção não é só para manter a máquina, é para manter a qualidade do ar interno e a saúde dos ocupantes. Por isso, o governo criou em 2018, através da Lei Federal 13.589, o Plano de Manutenção, Organização e Controle (PMOC), que deve ser seguido por empresas que tenham capacidade total de seus equipamentos de mais de 60.000 BTUS. As multas variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, dependendo do risco ou gravidade, recorrência e tamanho do estabelecimento, sendo dobrada em caso de reincidência, cita Henriques. Quem fiscaliza o cumprimento do PMOC é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e alguns órgãos de classe como o Crea.

 

O PMOC descreve a qualidade do ar exigida dos equipamentos, por exemplo em shoppings, ou ambientes hospitalares, para que circule um ar puro, filtrado, sem a presença de agentes nocivos.

 

Pesquisas apontam que trabalhadores em escritórios, já sofreram crises respiratórias, e precisaram de afastamento médico por problemas causados pelo ar-condicionado sem manutenção. Ambientes sem a renovação do ar e sem a manutenção do aparelho podem causar doenças, alerta Salles.

 

Informalidade e MEI

 

Além de uma informalidade enorme do setor, outra questão é a inscrição no MEI. Um técnico formado pela Firjan SENAI tem que se cadastrar no Conselho Regional dos Técnicos (CRT) e, portanto, não podem atuar como MEI. Porque uma regra do Microempreendedorismo Individual é que profissionais que tem um conselho de classe não podem ser MEI.

 

Porém, no cadastro do MEI há as categorias de manutenção e instalação de ar-condicionado. O Sindratar, junto com o Crea e o CRT, está se mobilizando para levar ao Ministério do Trabalho e Emprego a reivindicação para que essa categoria seja retirada do MEI.

 

O que traz mais economia

 

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) mudou a classificação de eficiência energética dos aparelhos com validade a partir de janeiro de 2026. Todo aparelho produzido a partir dessa data passa a ter a classificação A, B ou C, sendo a A, a mais eficiente, ou seja, a que consome menos energia elétrica.

 

O técnico do SENAI explica que o ar-condicionado “split inverter” economiza um pouco mais na conta de luz, porque trabalha de uma forma diferente de um compressor fixo. Quando é utilizado em períodos de altas temperaturas, ele aumenta a sua rotação, atende a demanda do equipamento e não desarma de uma vez, apenas abaixa a rotação e continua trabalhando de um uma maneira lenta, para evitar desarmar o compressor.  

 

Para mais informações sobre os cursos acesse o site da Firjan SENAI.