Cidade de Belém, sede da COP 30

COP 30 BUSCA
AÇÕES EFETIVAS


Potencial da bioeconomia e matriz energética são diferenciais competitivos do Brasil na Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas

 

Para dar continuidade nas discussões que visem diminuir a emissão de gases do efeito estufa e negociar acordos internacionais para conter o aumento da temperatura global, será realizada, em Belém do Pará, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30). Encontros com representantes de mais de 190 países da ONU vão mobilizar a atenção mundial de 10 a 21 de novembro deste ano. A liderança do Brasil será importante por ser o país mais biodiverso e detentor da maior extensão de floresta tropical do mundo, além de grande percentual de energia renovável, que destaca o diferencial competitivo da indústria nacional.

 

Temas voltados para mitigação das mudanças climáticas, adaptação, justiça climática, preservação de florestas e biodiversidade, redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), tecnologias de energia renovável e financiamento climático serão debatidos por lideranças políticas. E em paralelo por ONGs, empresas, sociedade civil organizada para apresentar iniciativas e buscar soluções conjuntas para os desafios climáticos.

 

Para Thiago Castelo Branco Lund, CEO da gráfica Nova Brasileira, “a COP 30 traz a possibilidade de o Brasil mostrar para o mundo a quantidade de oportunidades na economia verde e nosso potencial. Acho que é uma nova onda em que o Brasil pode surfar para ajudar muito no nosso desenvolvimento, de uma forma boa, criando coisas positivas e ao mesmo tempo fazendo a economia girar”.

 

O empresário da gráfica Nova Brasileira, localizada em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, que opera com 70% de energia de fonte renovável desde 2023, entende que a questão da sustentabilidade é um caminho sem volta e precisa estar continuamente na lista de preocupações de todas as empresas.

 

Renata Menezes Rocha, analista em Sustentabilidade da Firjan, compartilha de perspectiva semelhante sobre a realização da conferência no Brasil.  “A COP acaba sendo um local para mostrar o diferencial comparativo da indústria brasileira, que pode ser transformado num diferencial competitivo a partir da base da matriz energética, que tem grande porcentagem de energia renovável”.

 

Arte sobre período da COP 30

 

Segundo a analista, por si só, os produtos brasileiros já têm uma vantagem comparativa com os produtos de outros países, porque a matriz nacional é mais limpa. Um aço produzido no Brasil vai ter uma pegada de carbono menor, ou seja, vai emitir menos carbono do que um aço produzido, por exemplo, na China ou no Canadá.  

 

Além disso, a biodiversidade brasileira é por si só um potencial para desenvolvimento de novos produtos e modelos de negócios no país. Realizados de modo rastreável, transparente e sustentável em toda a cadeia de valor, a bioeconomia é um potencial econômico e social.

 

"Isso traz um diferencial para a indústria. E a gente precisa aproveitar essa situação para se colocar melhor no cenário internacional, com produtos que possam auxiliar na transição para uma economia de baixo carbono”, frisa Renata Rocha.

 

Atração de investimento

 

Nesse cenário de busca da sustentabilidade, Cláudia Guimarães, vice-presidente do Conselho de ESG da Firjan, aponta a necessidade de as empresas acompanharem as negociações da COP 30. “É muito importante para os empresários entenderem o direcionamento que vai ser dado na agenda ESG nos próximos anos, para que fiquem alinhados com a agenda global das negociações”.

 

As trocas de novas tecnologias e novos mercados também merecem destaque, de acordo com a vice-presidente. Ela argumenta que esse é um momento de troca, com foco em atração de investimento, já que a indústria brasileira tem um diferencial sustentável.

 

"É uma oportunidade para atrair os fundos de investimento que querem investir em tecnologias, em empresas e indústrias que promovam essa transição para uma economia de baixo carbono”, assegura Claudia Guimarães, que defende o acompanhamento do direcionamento dos debates internacionais, até mesmo de regulamentações e políticas públicas, porque o Brasil acaba seguindo muito essas tendências.

 

O financiamento, esclarece Claudia, visa promover a transição para uma economia de baixo carbono, além de ações de adaptação às mudanças climáticas, que já estão acontecendo, inclusive no Rio de Janeiro, que passa por ondas de calor excessivo.

 

“Precisamos de ações não só para mitigar, reduzir e promover melhoria da tecnologia, mas também para adaptar essas novas realidades do clima”, reforça a vice-presidente.

 

Eventos climáticos extremos

 

Além do debate em torno da eficiência energética, a analista Renata Rocha acredita que a COP 30 vai tratar fortemente de justiça climática ou racismo ambiental, que avalia como as mudanças climáticas afetam de formas diferentes as camadas sociais, uma vez que pessoas mais vulneráveis são as mais impactadas pelas alterações climáticas.

 

“Isso é interessante para a indústria estar ciente, além de muito atrelado à agenda de ESG, porque trata-se de gerenciamento de risco: Identificar os riscos das mudanças climáticas e das pressões dessas negociações climáticas no seu negócio”, orienta. Isso realmente é um olhar que a indústria precisa ter, na opinião de Cláudia Guimarães, tanto em relação ao seu entorno, no seu relacionamento com as comunidades, mas também no aspecto de cadeia de valor.

 

De acordo com a vice-presidente, as mudanças climáticas estão intensificando eventos extremos, como chuvas intensas e ventos fortes, que elevam significativamente os riscos de deslizamentos em áreas urbanas e industriais no Rio de Janeiro. Esses fenômenos não apenas impactam a segurança das comunidades, mas também podem comprometer a infraestrutura e a continuidade das operações produtivas.  

 

“A indústria precisa estar atenta a esses riscos, pois a exposição a deslizamentos e danos estruturais pode gerar paralisações, prejuízos financeiros e impactos na logística e no abastecimento. Incorporar a gestão climática na estratégia empresarial é essencial para garantir resiliência e sustentabilidade no longo prazo”, alerta Claudia Guimarães.

 

Considerando que esse é um momento de oportunidade, justamente pelo fato de o Brasil estar mais avançado na questão da matriz energética, a analista Renata Rocha defende que as empresas identifiquem cenários possíveis de alterações climáticas, potenciais riscos negativos, pensem em como se precaver e diminuir esse risco, além de enxergar oportunidades positivas desses cenários, visando mostrar o diferencial do país frente a outros países.

 

“Para isso é necessário prestar contas, deixar transparentes as ações, acompanhar os indicadores e atingimento de metas, para conseguir acessar financiamentos e atrair investimento”, instrui a analista.

 

Painéis solares produzem energia
Matriz energética renovável é diferencial na indústria brasileira

 

Firjan SENAI faz consultoria

 

O olhar atento e a preocupação com o futuro saudável do planeta levaram a gráfica Nova Brasileira a conquistar há dez anos a certificação Forest Stewardship Council (FSC), selo internacional que identifica produtos florestais provenientes de florestas bem manejadas.  

 

“Utilizamos matéria-prima de fontes controladas e renováveis. Desde 2023, 70% da nossa energia é solar. Além disso, o nosso resíduo de papel e de chapa é todo destinado à reciclagem”, acentua o CEO da Nova Brasileira, ao destacar que a indústria gráfica, hoje, é muito limpa, ecologicamente correta.

 

Mesmo com todos os avanços sustentáveis alcançados na gráfica, Thiago continua na busca por novas orientações para manter a Agenda ESG atualizada. Ele conta que já participou de dezenas de consultorias na rede de Institutos Firjan SENAI SESI de tecnologia, como a de eficiência energética.

 

A Firjan SENAI analisa onde está o maior gasto de energia e qual a possibilidade de redução de custo; e, além das recomendações, indica quanto a empresa precisa gastar para fazer a mudança e quanto vai economizar com ela.

 

“Isso é muito interessante, porque, de certa forma, o empresário também quer ver o resultado disso em números.  A consultoria aponta que a empresa vai ter um gasto X, pago em Y meses. Isso é bem concreto para a tomada de decisão, se vale fazer o investimento ou não”, avalia Lund.

 

Ele acrescentou que uma das recomendações foi a troca de todas as lâmpadas comuns por LED, o que já vinha ocorrendo quando elas queimavam. A economia prevista é de quase R$ 7 mil ao ano. Outra indicação da consultoria foi a troca dos compressores por um sistema mais eficiente, que consuma menos energia.

 

Na opinião do CEO, todo esse investimento foi fundamental porque, além de ser o correto, ajuda a vender mais.

 

“Isso ajuda a ter melhores clientes, porque um cliente grande, uma multinacional, busca parceiros na sua cadeia de fornecedores que são engajados, alinhados com essas causas. Existem clientes que só aceitam fornecedores que tenham a certificação FSC”, evidencia.

 

Diante desse panorama, a Firjan SENAI pode contribuir com as indústrias que precisem de orientação para realizar uma jornada de descarbonização, com inventário de gases de efeito estufa, que identifica o que e quanto a empresa está emitindo e onde estão essas principais emissões, além de desenvolver produtos voltados à área de ciência e tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, entre outros tantos ensinamentos. O Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental o atua em soluções integradas para a indústria através de consultorias com um amplo portfólio de serviços e laboratórios, como o de Meio Ambiente e de Calibração Volumétrica.

 

O Laboratório de Meio Ambiente está credenciado no Inea para realização de diversos parâmetros de análise; e o Laboratório de Calibração Volumétrica está estruturado para atender às demandas internas dos laboratórios do IST Ambiental, elevando a confiabilidade metrológica prestada.