quatro estudantes com uniforme laranja da escola Firjan SESI olhando para um notebook

RAÍZES FLUMINENSES:
SESI CELEBRA 80 ANOS


Iniciativas voltadas ao cuidado com a saúde, a educação e o bem-estar dos trabalhadores e seus dependentes têm papel vital no desenvolvimento da indústria nacional


Nos seus 80 anos de história, o Serviço Social da Indústria (SESI) coleciona uma série de projetos, iniciativas e políticas que contribuíram não só para o desenvolvimento da indústria, mas de todo o país. São ações que denotam o olhar atento dos líderes industriais sobre a importância do bem-estar social e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Essa preocupação foi ganhando novos contornos com o passar dos anos, acompanhando as mudanças da sociedade. Às iniciativas de saúde, incluindo segurança alimentar e campanhas de vacinação, somaram-se ações de educação, esporte, cultura e lazer.

Presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano destaca o “apoio incondicional” do SESI ao desenvolvimento do Rio e do Brasil. “Ao longo de oito décadas, a instituição transformou-se no pilar fundamental de sustentação da nossa indústria, promovendo de forma integrada a saúde, a segurança e a educação básica de milhões de trabalhadores”, afirma.

Uma instituição lançada em um Brasil bem diferente do país de hoje, mas que, como destaca o diretor-executivo da Firjan SENAI SESI, Alexandre dos Reis, mantém seu compromisso com a população brasileira. “Oito décadas de história são, ao mesmo tempo, uma celebração e uma responsabilidade. O SESI nasceu de uma decisão corajosa da indústria brasileira de assumir, voluntariamente, o papel de agente do desenvolvimento humano, e esse compromisso fundador segue vivo e urgente em 2026, talvez mais do que nunca”, declara.
 

 Inauguração do Centro Social Nº 1, em 1948. Crédito: Acervo Firjan

 
A semente do SESI foi plantada quando lideranças da indústria, do comércio e da agricultura lançaram um olhar para o bem-estar social. As ideias foram organizadas durante a primeira Conferência Nacional das Classes Produtoras, a I Conclap, em 1945. Do encontro, surgiu a Carta Econômica de Teresópolis.

Um ano depois, os assuntos debatidos na conferência foram formalizados na Carta da Paz Social – considerada um marco inicial para promover a assistência social e a qualificação dos trabalhadores como serviços oferecidos pela classe patronal. Em 1946, enfim, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criou o SESI.

A iniciativa cumpriu determinação do Decreto-lei nº 9.403, de 25 de junho daquele ano, que delegou à CNI as funções de criar, organizar e dirigir o SESI. O Brasil vivia o fim da ditadura de Getúlio Vargas e o início de uma experiência democrática. Nesse contexto, o SESI surgiu para contribuir com a relação entre empregador e empregado.

O início dos trabalhos do Conselho Nacional do SESI ocorreu em 1947, no Rio de Janeiro, então capital federal. Um ano depois, seria inaugurado o primeiro Centro Social, nomeado Presidente Dutra.

Comida no prato e saúde para todos
 

Postos de Abastecimento vendiam alimentos a preços acessíveis. Crédito: Acervo Firjan



Não demoraram a chegar sinais de que o trabalho vinha sendo bem desenvolvido. Ainda na década de 1940, o SESI criou postos de abastecimento para vender alimentos e produtos domésticos a preços acessíveis para os trabalhadores. Em 1950, 230 mil pessoas se alimentavam por meio desses estabelecimentos no estado do Rio de Janeiro. Em 1954, já eram 26 postos e três armazéns de distribuição.

Os centros sociais do SESI também ganharam força no início dos anos 1950. Esses espaços cumpriam diferentes papéis na promoção da cidadania por meio de saúde, educação e cultura. A estrutura incluía ambulatórios médicos e odontológicos, lactários, cozinhas para oferecer refeições a baixo custo, cursos de educação social e doméstica, ginásios poliesportivos e atividades culturais diversas.

O suporte às indústrias também se fortalecia. O Centro Social da Praça da Bandeira foi inaugurado em 1955 com o objetivo de ajudar as empresas na realização de exame médico prévio dos empregados, assim como as revisões periódicas para as atividades insalubres. A obrigação era prevista na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Para isso, contava com consultórios e até um laboratório de análises clínicas.

A estruturação dos serviços era norteada por estudos constantes de procedimentos. Em 1956, foi realizado o I Curso de Revisão para Técnicos Sociais, com objetivo de alinhar os funcionários às práticas mais atualizadas da assistência social. A mudança de paradigma nascera um ano antes, durante o I Seminário Nacional de Técnicos, quando ficou definido que iniciativas paternalistas deveriam ser evitadas, priorizando a assistência educacional.

Educação, cultura e lazer
 

Registro de um dos cursos de alfabetização promovidos pela Firjan SESI em 1958. Crédito: Acervo Firjan



Em 1956, foi inaugurada a escola primária Raul Leite, a primeira do SESI, instalada no Centro Social Morvan Dias de Figueiredo, o Centro Social nº 3, que havia sido aberto quatro dias antes. A instituição já abriu as portas com 403 alunos, distribuídos em 12 turmas. Além disso, um automóvel com espaço para 1,5 mil livros e equipamentos audiovisuais permitia que fossem levadas atividades educativas até lugares que não contavam com centros sociais.

Nas décadas seguintes, o entendimento foi de que as principais lacunas atendiam pelo trinômio cultura, esporte e lazer. Assim, surgiram iniciativas de incentivo à prática esportiva, à alfabetização e a toda sorte de expressão cultural – sem perder de vista o cuidado com a saúde.





Transformação de vidas

Os anos 1970 foram marcados pelo avanço em iniciativas voltadas ao bem-estar como um todo, investindo em esporte, cultura e meios de socialização. Ginástica, vôlei, natação e futebol chegaram às escolas da rede. Ao mesmo tempo, consultórios dentários móveis ganharam reforço na frota. Os automóveis equipados para tratamento odontológico percorriam o estado, atendendo os trabalhadores da indústria e seus dependentes.
 

Firjan SESI promove saúde e bem-estar para todas as idades. Crédito: Acervo Firjan



Já na década seguinte, o aumento da desigualdade apresentou grandes desafios. Empresários se mobilizaram em torno do aspecto social, entendendo que o desenvolvimento econômico dependia, também, de avanços em áreas como saúde e educação.

Em 1996, o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que 81 dos 91 municípios do Rio de Janeiro reuniam 80,4 mil pessoas entre 10 e 19 anos que sequer eram capazes de escrever o próprio nome. Os dados acenderam um alerta, que levou a Firjan SESI a criar um programa de combate ao analfabetismo.

As iniciativas que surgiram desse diagnóstico culminaram com o lançamento do “Projeto Transformar – Escrevendo o Futuro”, em 1999, graças a parceria da Firjan SESI com as prefeituras. Ao SESI, coube a assessoria pedagógica, já que contava com metodologia própria, e a capacitação dos professores. Além disso, acompanhava a frequência e o aproveitamento dos estudantes e fazia a avaliação de todo o processo. A iniciativa ensejou a criação do programa nacional “Por um Brasil Alfabetizado”, do Ministério da Educação em parceria com a Firjan SESI.

O novo milênio chega com acesso ao ensino

Um ano depois do lançamento da iniciativa, no ano 2000, é realizada a formatura de mais de 7 mil alunos, que receberam certificado de conclusão do curso. O Projeto Transformar seguia os parâmetros das políticas públicas de erradicação do analfabetismo, incluindo as diretrizes da Política Nacional de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2001, foram 16.990 alunos, dos quais 14.859 concluíram a formação. Em 2002, o Projeto Transformar foi chancelado pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do certificado de Programa de Alto Impacto Social do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O fomento ao desenvolvimento estava pavimentado, mas ainda havia lacunas que precisavam ser preenchidas. Em 2003, veio o lançamento da cartilha “Fome Zero, Criatividade Dez”, com informações sobre higiene, valores nutricionais e melhor aproveitamento dos alimentos. A Firjan SESI buscava combater a concentração de renda e os altos níveis de desemprego.

Dois anos depois, foi criado o projeto Pró-IDH, que tinha como objetivo aumentar o Índice de Desenvolvimento Humano nos municípios do Rio de Janeiro, por meio de convênios com a Firjan. A Firjan SESI foi responsável por cuidar de questões relacionadas a saúde, lazer, educação e cultura.

Já em 2010, o Programa Firjan SESI Cidadania foi implementado para levar serviços, educação, saúde e cultura para comunidades da região metropolitana do Rio de Janeiro. Em 16 anos de trabalho, já são mais de 2,9 milhões de atendimentos para crianças, adolescentes e adultos e público da longevidade. Mais um investimento social estratégico no sentido de reduzir as desigualdades e promover a cidadania em territórios marcados pela vulnerabilidade social.

Todo esse investimento no capital humano reflete diretamente na produtividade e na capacidade de inovação das empresas, conforme destaca o presidente da Firjan. “A Firjan SESI prova que o progresso econômico caminha lado a lado com a valorização social”, diz Caetano.

Olhos no futuro
 

Educação digital está contemplada nos programas da Firjan SESI. Crédito: Acervo Firjan



Com a tecnologia ditando o ritmo, é lançado o Programa SESI Cultura Digital, por meio da conexão entre arte, tecnologia e inovação. Em três edições, foram promovidas palestras, workshops, painéis, debates, oficinas e performances. Também teve espaço para uma hackathon, como são chamadas as maratonas hacker que têm como finalidade resolver algum problema real usando soluções digitais.

Já o Projeto Ponto de Partida, de 2016, foi criado em parceria da Firjan SESI com a concessionária ViaRio e buscou a inclusão social de moradores do entorno da via expressa Transolímpica. Foram oferecidas 375 vagas para capacitação em operador de atendimento, pela Firjan SENAI. Os participantes também receberam acompanhamento de desenvolvimento humano e planejamento de carreira.

Desafios contemporâneos
 

Expertise da Firjan SESI com campanhas de vacinação foi fundamental na pandemia da Covid-19. Crédito: Acervo Firjan



As incertezas surgidas no período da pandemia não paralisaram os líderes industriais, pelo contrário. Testes de Covid-19 foram oferecidos gratuitamente para pequenas indústrias e a preço de custo para as médias e grandes. A ação ocorreu graças a uma parceria entre o Centro de Inovação SESI em Saúde Ocupacional (CIS-SO) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a participação na campanha de vacinação foi intensa, aplicando centenas de milhares de doses em cidadãos que foram até a Casa Firjan ou em locais como o Parque Olímpico e a Cidade das Artes, em parceria com outras instituições.

Cenas impensáveis até então fizeram com que a sociedade conhecesse um “novo normal”. Nesse contexto, a Firjan SESI ofereceu cursos normativos em 2021, inclusive na modalidade de educação a distância (EAD), e recebeu o título de Centro de Tutoria e Monitoria de Treinamento Normativo Nacional. Em 2022, foi lançado o portfólio de cursos normativos, com um catálogo superior a 130 títulos, tanto presencial quanto remotamente.

No ano seguinte, foi realizada a pesquisa Combate à evasão no Ensino Médio: desafios e oportunidades, em parceria com o PNUD/ONU. A preocupação com o ensino básico voltava ao centro das ações. O estudo de grande amplitude apontou que meio milhão de jovens com mais de 16 anos abandonavam a escola a cada ano. Foram reunidas quase 100 experiências nacionais e internacionais para ajudar os gestores públicos a trabalhar no combate à evasão.

Em 2024, o Prêmio Firjan SESI – SEEDUC de Combate à Evasão no Ensino Médio reconheceu e premiou os gestores de escolas estaduais que mais reduziram a taxa de evasão escolar nos anos de 2023 e 2024. As escolas recebem imersões de estudo e kits de apoio para a continuidade do trabalho.

Para fortalecer essa luta contra a evasão, a Firjan SENAI SESI oferece gratuidade no ensino médio integral. Desde 2020, cerca de 16 mil vagas já foram ofertadas.

Trabalho que persiste

Nestes 80 anos, o SESI e a Firjan SESI mostram que continua com força e vigor para acompanhar as necessidades de cada momento histórico, dando suporte para o desenvolvimento da indústria e da sociedade. Sempre investindo em saúde, educação, responsabilidade social e cultura. Em 2025, por exemplo, foram 13.536 matrículas em Ensino Regular e 37.400 matrículas em Educação Continuada no estado do Rio. Na área da Saúde e Segurança, o ano terminou com 4.578 empresas fluminenses atendidas, mais de 187 mil pessoas atendidas, quase 21 mil vacinas aplicadas, mais de 126 mil em promoção da saúde e mais de 526 mil cidadãos envolvidos com programas em segurança e saúde.

Um dos destaques que simboliza a valorização da cultura pela Firjan SESI hoje são os seis teatros presentes no estado do Rio: dois na capital (no Centro e em Jacarepaguá), e os outros nos municípios de Duque de Caxias, Campos, Macaé e Itaperuna.

Além disso, em 2025, foi realizado o 1º Seminário de Cultura e Arte da Firjan SESI, agenda anual de encontros e debates sobre o tema. No mesmo ano, o projeto “Rio em Prosa e Verso” celebrou o ano “Rio Capital Mundial do Livro”, definido pela Unesco. A literatura, vale destacar, é uma área que recebe bastante atenção. O Prêmio Rio de Letras, por exemplo, está na sua terceira edição visando a fortalecer a prática da leitura e da escrita entre os estudantes. A premiação é uma promoção da Firjan SESI, realizada com a curadoria da Academia Brasileira de Letras (ABL) e a parceria da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc).

Aliás, a parceria com prefeituras e governos estadual e federal, e também com órgãos como a Organização das Nações Unidas (ONU), reforçam a pujança do trabalho do SESI e a importância que ele tem para o desenvolvimento da sociedade como um todo.

“Ao completar oitenta anos, o SESI renova seu propósito: seguir sendo a ponte entre a força do trabalho e a dignidade plena que todo trabalhador merece. A indústria brasileira celebra esta data com gratidão pela história construída e com a convicção de que o melhor do SESI ainda está por vir”, declara Alexandre dos Reis.

Utilizamos cookies para uma melhor experiência de navegação. Conheça a nossa Política de Privacidade .